terça-feira, abril 05, 2016


Continua em A Teoria de Sofia

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Bem Vindos

Há muito que penso em publicar os poemas da minha adolescência, mas ao mesmo tempo, não me fazia sentido misturá-los com os meus poemas actuais, uma vez que revelam etapas diferentes.
Mas hoje, no meio de arrumações há muito adiadas (há coisas que nunca mudam...), ocorreu-me a solução para o problema. Se o problema era falta de contexto, que não seja por isso, ei-lo! Aqui está este blog para dar contexto aos meus "livros perdidos no pó".
É como se os poemas me pedissem para lhes dar um lugar só deles. Os poemas não são só agrupamentos de versos, são a expressão, a libertação das ideias mais ou menos conscientes que vivem dentro de nós. Não os podemos forçar a existir, eles nascem e batem-nos à porta da consciência para lhes dar-mos forma, coerência e, literalmente, a palavra.

quinta-feira, janeiro 28, 1999



Ah, apetece-me escrever,

mesmo a meio da aula de matemática

não devia...

mas não tenho nada que fazer,

estou a ouvir falar de trignometria,

que silêncio...

Que são estes ruídos?

Rompem o silêncio...

é o retroprojector.

Este silêncio já não é silêncio...

o silêncio está dentro de mim,

oiço-me sem barulho,

sem frio, sem calor.

O meu silêncio é tão aconchegante,

sinto-me tão bem assim,

é como se o mundo fosse nada,

é uma paz tranquilizante...

Só eu e o que sinto e escrevo,

se me perguntarem tiram-me de mim

se me perguntarem não sei responder

só eu e o que sinto e escrevo,

o resto de fora não quero saber.

(17 anos)

quarta-feira, janeiro 27, 1999




Hoje é um daqueles dias

em que espero que me chegue a poesia...



Vem de mansinho pelas artérias,

escorrega devagarinho para a mão,

parte da cabeça,

vem descendo ao coração



E eu falo fora de mim

ao mesmo tempo que me escuto por dentro

e cai-me lentamente sobre o papel



Paro, oiço-me respirar

e falo de tanta coisa

que nem sei por onde começar,

talvez nem sequer comece...

é preferível parar.



(17 anos)

terça-feira, janeiro 26, 1999

Para Mim...


Escrevo quando me sinto só

só no meio da multidão

onde ninguém tem dó,

me dá para acompanhar a solidão.


Escrevo para quem me entende,

para mim e mais ninguém.

Eu sou quem me compreende,

quem me confunde também.
(17 anos)



O sonho é o abismo


onde os loucos se largam da vida


e os corajosos, esses


choram de dor


tornam-se secos


o medo da dor


bebe-lhes a coragem


e a frieza do medo


gela-lhes o coração


são apenas duros


sem ilusão


outros, tornam-se loucos


abrem asas


voam


mas não, não voltam




E a coragem?




Muitos a levam


trazem-na uns poucos


a dor é a força


para a próxima viagem


a coragem é a loucura


de quem torna ao desafio


efémero


como o fio da vida


um capricho


de um coração sem rumo


a vontade


a bondade de uma criança


que segura a mão do sonho
(17 anos)

terça-feira, dezembro 15, 1998


Venho do mundo
que esconde o que tem
grito do fundo
do mito do além
Prende-me o que prende
o que é nem eu sei
um tapete que se estende
para aquilo que procurei
Eu quero é fugir
da prisão de esperar
da solidão do sentir
do terror de amar
O que é que me espera
quem me tira daqui
mundo que desepera
vida crua que vivi
Vejo ao longe a sorte
andar de mão em mão
não acredito na morte
só creio na solidão
Solidão não de amar
já nem sei o que é sentir
solidão d não libertar
o que ninguém quer ouvir
Tenho a mão vazia
cheia de tudo o que dói
casa de areia fria
que a solidão constrói
Mas sou mais forte que o mundo
que não ama ninguém
sou maior que o fundo
do poço só que me tem
A minha voz é mais sentida
que o que me quer proíbir
é maior do que a vida
quem me vive a fingir
Desespero do fundo
do mito do além
lutando contra o mundo
que me esconde o que tem
Esperando o futuro
destino que não vem
destruíndo o muro
do sonho de ninguém
De ninguém que é vazio
vazio que não vai
sonho murado de frio
muro duro que não cai
(18 anos)

terça-feira, dezembro 08, 1998


Hoje acaba o sonho

amanhã já é normal,

o desdém, a fadiga habitual

de um mundo que cansa

que puxa, usa e abusa

do ser que amansa

numa palavra fraternal

que tantas vezes não se usa

mas que é fundamental

a todo aquele que foge do real
(17 anos)

Mulher insensível

criança com medo de cantar

Inocente que sonha

sem inocência para acreditar

Grito que sufoca

com vontade de correr e de gritar

Receio de um caminho

vontade de seguir, de libertar


É um ser que voa

para fora do ser

que esquece que é

um ser a aprender...


... a ter coragem

para sofrer

o peso da miragem

do que é esquecer.
(17 anos)